LP Capim Verdão (Daudeth Bandeira e Benoni Conrado)
segunda-feira, 16 de março de 2009
Irmãos Bandeira
estão num dos grandes festivais de cantadores realizado em Juazeiro do Norte/CE em 2007.
Dos quatro irmãos cantadores
Pedro começou primeiro,
Francisco foi o segundo,
E João foi o terceiro,
E eu, que não sou vexado,
comecei por derradeiro.
Daudeth Bandeira
quinta-feira, 12 de março de 2009
METADES PERDIDAS
Daudeth Bandeira
Salve! Alma gêmea! Duplo embrião,
Metade perdida, ou cara metade!
Zeus fez a separatividade!
Mas Deus fez a reaproximação!
E numa seara de animicidade!
Autotranscendência e abnegação!
Fecundem os polens da procriação
Os óvulos da flor da imortalidade
Eros e filia, num passeio harmônico!
Adejam os céus do amor platônico
Numa Endogamia ideal, comum,
Complementam-se, sentem-se felizes,
Fundem-se as partes; só as cicatrizes,
Mostram que eram duas metades de um!
Manoel Galdino Bandeira
Quem conhecer do baralho
Pode encamaçar o seu.
Pois trinta e dois é um jogo
Que nunca nos protegeu
Quem fez trinta, inda ficou!
Trinta e um, bateu! Ganhou!
Trinta e dois, passou! Perdeu!
O ano de trinta foi ruim,
Trinta e um foi ruim também,
Trinta dois rapou o resto
De quem até ia bem!
Deus me permita que eu minta...
Já vi que a era de trinta
Não vai alisar ninguém!
Quem só comia capão
Com seis meses de chiqueiro,
Agora, a custa da fome,
Destruiu o galinheiro,
Comeu galinhas e ovos,
E acabou os frangos novos
Que havia pelo terreiro.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Homenagem a Daudeth por Carlos Siqueira
Nascido na Paraíba
Esse belo cantador
Repentista, um artista
Poeta, também doutor
Daudeth Bandeira é
Um Homem de muita fé
Um Grande compositor
Amou cedo a cantoria
Esse grande menestrel
E foi em Quarenta e cinco
Que esse cabra veio do céu
A mãe é dona de Maria
Seu pai é o seu Tobias
Neto de seu Manoel
Ele nasceu em um sítio
Riacho da Boa vista
Foi que nasceu o artista
Faz rima e faz o verso
Hoje aqui te confesso
È até um romancista
Já Disputou muitos prêmios
Em diversos festivais
Tem presença garantida
Nos eventos culturais
E é nessa geração
Que se preste atenção
Que grande talento traz.
Meu amigo um abraço
Que continue a labor
Mostrando a sua força
A garra o seu amor
Ficamos apreciando
E Junto com tu cantando
A rima do jeito que for.
domingo, 11 de janeiro de 2009
A CAPADURA DE DUDA E A SENTENÇA DO JUIZ
Quando o cangacerismo
Rondava em nosso País,
No Estado de Sergipe
Um “digníssimo Juiz”
Deu uma sentença histórica.
Culturalmente: folclórica;
Juridicamente: infeliz.
Por tentativa de estupro,
Ou Atentado violento.
Do cabra (Manoel Duda)
À mulher de Xico Bento,
Mesmo sem se consumar,
Ele teve que passar
Por um grande sofrimento.
Foi em mil e oitocentos
No ano de trinta e três,
Doutor Manoel Fernandes,
O aplicador das leis,
Numa sentença “rombuda”
Condenou Manuel Duda
Pagar por algo que fez.
Em pleno mês de Sant´Ana,
Sem água em rio e represa!!
Por força das intempéries
Climáticas da Natureza;
Um grupo de bandoleiros,
Criminosos cangaceiros,
Havia na redondeza.
A mulher de Xico Bento
Ia de lata na mão,
Apanhar água na fonte,
No fundo dum ribeirão,
Quando, de dentro do mato,
Manoel Duda, como um gato,
Saía de supetão.
Imoralmente propunha
A razão do seu intento:
Queria fazer com ela
Do jeito de Xico Bento.
O que a lume não se traz.
Aquilo que a gente faz
Só depois do casamento.
Ela, recusando, disse:
Afaste-se para lá!!
Duda louco de vontade
Disse: mulher venha cá ....
“Abrafolou-se com ela,
E as encomendas dela
Deixou fora ao Deus dará.”
Mas seu grito de socorro
Soou alto na aldeia.
Aí Noberto Barbosa,
Junto a Nocreto Correia,
No flagrante apareceram,
O dito cujo prenderam
E levaram-no p´ra Cadeia.
Depois de três meses preso
Num sofrimento infeliz,
Sem qualquer relaxamento,
Provisória, nem sursis....
No auge do aperreio...
Em mês de outubro veio
A sentença do Juiz.
Sentença em itálica.
“Dizem as leises que duas
Testemunhas assistindo
O naufrágio do sucesso
Fazem prova.” E decidindo,
O Juiz, sobre a sentença,
Conforme diz a imprensa:
!Num linguajar doce e lindo!!
“Considero que o cabra
Manoel Duda agrediu
A mulher de Xico Bento, ...
Quando a ela dirigiu
Seus amores, seus queixumes;
Pois, a lei dos bons costumes,
Gravosamente infringiu.
“Para conxambrar com ela”
Tinha que lhe dominar....
E fazer as chumbregâncias,
Mas, ela sem aceitar.
Pois, casara na capela!
E só com o marido dela
Competia conxambrar!!
O cabra Manoel Duda
Fama de safado tinha,
“Nunca soube respeitar
Mulher casada, ou mocinha”
Quisera, há poucas semanas,
“Também fazer conxambranas
Com Quitéria e com Clarinha.”
Ataca moça donzela
E não pede nem segredo!
Se não houver uma coisa
Que esbarre esse torpedo;
Que atenue a perigança!
A manhã na vizinhança
Até aos homens fará medo!!
Por tudo que há nos autos,
Por força do meu ofício,
Condeno Manoel Duda,
Pelo grande malefício
Que fez à mulher honrada,
Com Xico Bento casada,
Passar por tal sacrifício.
Julgo a causa procedente
E Manoel Duda culpado;
À pena de capadura
Ele será condenado,
Como quem faz com bodête,
E deverá ser a macete
Que é pra ficar bem capado.
A execução da peça
Que acabo de concluí-la
Deve ser executada
Na Cadeia desta Vila
E a partir deste momento
A mulher de Xico Bento
Viverá calma e tranqüila.
A Sentença da Capadura
Quebro o visual protocolar do Arremate, para publicar este delicioso texto enviado por J Tavares, sobre sentença do juiz sergipano Manuel Fernandes dos Santos de 15 de outubro de 1833.
“No dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant’Ana quando a mulher de Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o cabra (Manuel Duda) que estava de tocaia em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ela se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão deixando as encomendas dela de fora e ao Deus dará.
Ele não conseguiu matrimônio por que ela gritou e veio em amparo dela Nocreto Correia e Norberto Barbosa que prenderam o cujo em flagrante./
Dizem as leises que duas testemunhas que assistiram a qualquer naufrágio do sucesso faz prova. Considero que o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para comxambrar com ella e fazer chumbregâncias, coisas que só o marido della competia comxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana; que o cabra Manoel Duda é um suplicante debochado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quis também fazer comxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzelas; que Manuel Duda é um sujeito perigoso e se não tiver uma cousa que atenue a pirigança, amanhan está metendo medo até nos homens.
Condeno o cabra Manuel Duda, pelo malefício que fez a mulher de Xico Bento, a ser capado, capadura que deverá ser feita a macete (!). A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.
sábado, 10 de janeiro de 2009
NORDESTINAÇÃO
Maranhão, no nordeste do país,
É estado de credibilidade
Deve ter representatividade
Que enaltece o valor de São Luiz
Sua grande cidade Imperatriz
Se mantém numa ótima posição,
Bacabal, Capinzal, formosas são,
Grajaú, Dona Inês, Codó, Caxias,
A cidade que deu Gonçalves Dias
O maior menestrel do Maranhão.
Terezina cresceu, eu percebi,
E é de puro mister que ela exiba
O valor que existe em Parnaíba
Picos, Campo Maior, Piri-Piri.
O romântico sertão do Piauí
De baixios chapadas e alcantis,
Fez Domingos Fonseca ser feliz
Palmilhando as estradas do destino
O maior repentista nordestino
E um dos grandes poetas do país.
Fortaleza, do herói Dragão-do-mar
Tem o brilho dos olhos de Iracema
Seu passado se envolve no poema
De Raquel de Queiroz e Alencar.
Seu presente lhe deixa singular
Com a modernidade que lhe veste
Desde as praias: do sol e leste-oeste,
Seus verões, seus invernos, seus luares
Fazem-lhe capital dos verdes mares
O cartão de visitas do nordeste.
E Natal, de beleza natural,
Dunas, Praias, bacias, e como estudo
Casa e memorial Câmara Cascudo
São culturas naquela Capital.
Já possui uma base espacial
Que é chamada "barreira do inferno"
E por meio de método sempiterno,
Se constrói outro novo equipamento
e nas asas no nosso pensamento
E se alcança a mansão do pai eterno
Esmerada cidade João Pessoa
De Américo, de Alcides e de Zé Lins,
Entre as árvores frondosas dos jardins
Um poema de Augusto ainda ecoa
As robustas palmeiras da lagoa
Dão a ti elegância tropical
O seu busto da orla litoral
Se arrepia de amor, ouvindo o cântico
Entoado nas ondas do Atlântico
Sua grande paixão oriental.
E Recife, metrópole nordestina
Na cadência do seu capibaribe
Adormece escutando o beberibe
E acorda com gritos de usina,
Frevo, maracatu e colombina
Aparecem nos novos carnavais.
Está vivo nas páginas dos anais
Quem cantou o torrão pernambucano
Igualmente Olegário Mariano
Um Ascenso Ferreira e outros mais
Maceió, capital alagoana,
Sua Chã de Jaqueira é jóia rara,
Bebedouro, Farol e Pajuçara
Revelando a visão meridiana
Rodeada de praia, coco e cana
É um prato no meio da fartura.
E essa grande riqueza se mistura
Com as coisas que mais admiramos
Só o nome Graciliano Ramos
Encabeça um capítulo de cultura
Vem Sergipe com sua Aracaju
E cada uma cidade sergipana
São Cristóvão, Lagarto, Itabaiana,
Que é o chão do nelore e do zebu,
Mandioca, feijão, milho, caju
E laranjas, do chão fertilizante.
O Sergipe pra mim é importante
Que apesar de Estado pequenino
É um gigante com cara de menino
E um menino com forças de gigante
Salvador é o berço maternal
De Caíme, Caetano, Gal e Gil,
Não conheço outro povo no Brasil
Com o mesmo talento musical
Rui Barbosa foi nosso pedestal,
Castro Alves, poeta condoreiro
Jorge Amado é o grande noveleiro,
Sua fama não pára de crescer
Tem que ser nordestino, pra saber
O valor do nordeste brasileiro.
Coro (o nordeste é meu, o nordeste é teu)
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