LP Capim Verdão (Daudeth Bandeira e Benoni Conrado)

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terça-feira, 9 de março de 2010

Suplicanção

Daudeth Bandeira

Não é uma estrela nem é um cometa,
Não é um discurso nem é um sermão,
É a poesia deusa do sertão!
Na vanguarda de cuidar do planeta!
Desviar o raio ultravioleta,
Apagar queimadas da aba da serra,
Cegar o machado e a moto-serra
Para inibir o desmatamento,
Livrar o planeta do aquecimento,
Lavar o espaço e salvar a terra!!

Margear de flores o velho caminho!
Ajudar a abelha a fazer o mel,
Como o cão de caça, amigo fiel,
Que não deixa o dono na mata sozinho!
Ver o João-de-barro construir o ninho
No pé de ingazeira perto do oitão!
Rever o vaqueiro vestido em gibão,
Ouvir o gemido do carro-de-boi!
Voltar ao que antigamente foi,
Deixar a cidade e morar no sertão.

Levar uma vida pacata e serena,
Preservar as fontes de nossa cultura,
Ter o cordel como a literatura
Mais original romântica e amena!
Assistir à missa, o culto, a novena,
E não descuidar da religião!
Respeitar a nossa Constituição
Na aplicação dos nossos alcaides,
Viver sem estresse sem ódio e sem adis,
Sem droga, sem câncer, sem poluição!

A Árvore Geneológica da Arte da Cantoria

Daudeth Bandeira

A poesia descende
De gregos, turcos e árabes,
Hebreus, egípcios, romanos,
Berberes, celtas e moçárabes,
Germanos e visigodos;
Se tem gene deles todos,
Não é só uma etnia!
Eis aí a grande lógica.
Da árvore genealógica
Da arte da cantoria!

A audição de um poema
Remete-nos ao período,
Da “odisséia” de Homero,
E “cosmogonia” de Hesíodo;
Hexâmetros feéricos
Dos belos hinos homéricos;
E a grande “teogonia”,
Exaltação mitológica
Da árvore genealógica
Da arte da cantoria.

“O épico de Gilgamesh”,
“Os diálogos de Platão”
O livro “cântico dos cânticos”
Escrito por Salomão!
A “Eneida” de Virgílio,
E o mais erudito idílio
Nos saraus de Alexandria,
São a tábua pedagógica
Da árvore genealógica
Da arte da cantoria.

Os acrósticos egípcios,
A canção dos beduínos,
Os versos oraculares
Dos compêndios sibilinos,
Os poemas dos astecas
Incas, maias e toltecas,
Entranhados de magia.
Uma fusão astrológica,
Na árvore genealógica
Da arte da cantoria.

O trovadorismo surge
No sul da França e Espanha,
Vai de Portugal à Itália,
Da Holanda à Alemanha.
Do chão da península ibérica
Partiu para cada América,
Um exemplar uma cria
De raiz etiológica
Da árvore genealógica
Da arte da cantoria.

Na América do Sul,
No nordeste do Brasil,
Germinou, brotou, cresceu
Num glorioso perfil.
Repentistas cantadores,
Vates improvisadores,
Herdaram da poesia
Sua parte biológica
Da árvore genealógica
Da arte da cantoria.
FIM

terça-feira, 19 de maio de 2009

CORDEIS de Daudeth Bandeira

" Sonho de Leandro"
Homenagem ao maior cordelista do Brasil
LEANDRO GOMES DE BARROS

(Daudeth Bandeira)

"O reino de Antenor & a sombra do Jatobá"
Pugna (desafio) entre dois grandes Poetas
cada um em defesa de sua terra natal:
Antenor (São joão do Rio do Peixe/PB)
Jatobá- (São josé de Piranhas/PB)

(Daudeth Bandeira & Wergniaud Breckenfeld)


"Manicure"
Mãos de veludo a fascinar o cliente.
(Moda cordelizada de maneira irreverente)

(Daudeth Bandeira)



"Amor bebido na fonte"
apologia à obra de Ronaldo Cunha Lima

(Daudeth Bandeira)

"Mãe solteira"
Análise sobre os políticos em a relação política
(Daudeth Bandeira)

"Estrófes Evangélicas"

(Daudeth Bandeira)

"A Natureza"
fica ainda mais bela quando
retratada com rimas e metáforas

(Daudeth Bandeira)

"A Fome"
A fome que acarreta a delinquência

(Daudeth Bandeira)











segunda-feira, 11 de maio de 2009

PÁSSARO SANTO!

Daudeth Bandeira


Trina, pia, estala no galho da planta;

Num galho de planta trina, pia estala;

Não sei se ele fala se ele chora ou canta.

Acho que ele canta, ele chora e fala!


Só sei que é uma criatura santa,

Criada por Deus, que ao criá-la

Já colocou clave, acorde e escala

No conservatório de sua garganta!


Ele está acima de qualquer pessoa!

Quando quer caminha; quando não quer, voa!

Pousa no mais alto galho de arvoredo.


Tem asas de anjo, voa como alma,

Santo passarinho! Pensando com calma,

Essa Natureza tem cada segredo!!!

Daudeth Bandeira & Juvenal Evangelista

Irmãos Bandeira

segunda-feira, 16 de março de 2009

Daudeth Bandeira & Oliveira de Panelas (cd na França)

Irmãos Bandeira

Na foto acima, os três irmãos Pedro, Daudeth e João Bandeira (da esquerda para direita),
ladeados pelo tio de Helder Cruz (esposo de Jânia Bandeira) e o amigo Moraes,
estão num dos grandes festivais de cantadores realizado em Juazeiro do Norte/CE em 2007.



Dos quatro irmãos cantadores
Pedro começou primeiro,
Francisco foi o segundo,
E João foi o terceiro,
E eu, que não sou vexado,
comecei por derradeiro.

Daudeth Bandeira

quinta-feira, 12 de março de 2009

METADES PERDIDAS

Daudeth Bandeira


Salve! Alma gêmea! Duplo embrião,

Metade perdida, ou cara metade!

Zeus fez a separatividade!

Mas Deus fez a reaproximação!


E numa seara de animicidade!

Autotranscendência e abnegação!

Fecundem os polens da procriação

Os óvulos da flor da imortalidade


Eros e filia, num passeio harmônico!

Adejam os céus do amor platônico

Numa Endogamia ideal, comum,


Complementam-se, sentem-se felizes,

Fundem-se as partes; só as cicatrizes,

Mostram que eram duas metades de um!

Manoel Galdino Bandeira


Manuel G. Bandeira é autor dos versos abaixo:


Quem conhecer do baralho

Pode encamaçar o seu.

Pois trinta e dois é um jogo

Que nunca nos protegeu

Quem fez trinta, inda ficou!

Trinta e um, bateu! Ganhou!

Trinta e dois, passou! Perdeu!


O ano de trinta foi ruim,

Trinta e um foi ruim também,

Trinta dois rapou o resto

De quem até ia bem!

Deus me permita que eu minta...

Já vi que a era de trinta

Não vai alisar ninguém!


Quem só comia capão

Com seis meses de chiqueiro,

Agora, a custa da fome,

Destruiu o galinheiro,

Comeu galinhas e ovos,

E acabou os frangos novos

Que havia pelo terreiro.